O ano de 2026 se inicia com grandes expectativas a serem vividas. Para os que gostam de Copa do Mundo, é um ótimo momento para reunir amigos e familiares, torcer juntos e aguardar o tão esperado hexa. Para os que se interessam por política, é um período crucial para o futuro do Brasil e para a vida de cada cidadão. Para aqueles que aguardam o início dos estudos, há a expectativa de finalmente começar um projeto tão sonhado. Para os que irão se casar, a frase “finalmente chegou o ano do nosso casamento” é dita com imensa alegria e entusiasmo. Para quem está finalizando o tratamento de uma doença, chegam, enfim, os últimos meses de medicação.
Viramos o ano com acontecimentos ao redor do mundo: movimentações políticas, tragédias, guerras e prisões.
A sociedade vive e não espera. O tempo passa e, com ele, chegam a alegria ou a tristeza, a realização ou a frustração. Vivemos na expectativa de algo que nos complete ou supra, ainda que minimamente, os desejos do nosso coração. De projeto em projeto e de sonho em sonho, aguardamos que algo nos encontre e nos faça, finalmente, descansar e desfrutar daquilo que já temos. Olhar para os de casa e para o que possuímos com gratidão, antes de iniciar um longo e cansativo plano que exige movimento constante, parece, muitas vezes, um atraso de vida, como se estivéssemos ficando para trás.
Lembro-me de O Senhor dos Anéis ao narrar sobre os hobbits: um povo simples, que valorizava a rotina, um bom chá e uma excelente conversa ao pé da lareira. Viviam em comunhão, sempre dispostos a ouvir o que o outro tinha a dizer. Essa história nos recorda do convite que Jesus fez a Marta, que estava atarefada demais e não aproveitava o momento como Maria, sentada aos pés de Jesus.
Diante de tantas informações, planos e atividades, existe um convite de Jesus que permanece ecoando em nossos corações diariamente: descansar, sentar-se e cultivar aquilo que realmente vale a pena. Vivemos em um ritmo desenfreado, alimentando a ansiedade e as preocupações com o que não temos e com o que ainda precisamos conquistar. Esquecemo-nos de que o dia de hoje é tudo o que realmente possuímos, e viver como se isso não fosse verdade é querer ocupar o lugar de Deus. Acreditamos, ainda que inconscientemente, ser onipotentes e oniscientes. Porém, a verdade é que fomos criados finitos e fracos, incapazes de salvar a nós mesmos, cercados pelo pecado.
Independentemente dos eventos que nos aguardam em 2026, dos sonhos ou dos projetos, nosso coração precisa descansar diante Daquele que faz todas as coisas acontecerem; do Todo-Poderoso que conduz a história com autoridade e poder; do Pai que não desampara Seus filhos nas aflições da vida; do Deus forte que nos protege do inimigo e prepara para nós um banquete na presença deles; do Cristo que nos convida a descansar no barco enquanto a vida balança e tudo parece ruir.
O ano de 2026 será diferente se colocarmos nosso coração diante do Senhor e pedirmos que nosso ritmo de vida seja transformado, para que nossos projetos estejam alinhados com a história que já foi escrita para nós.
Que não seja apenas mais um ano marcado por metas cumpridas ou frustradas, por agendas cheias ou conquistas visíveis, mas um tempo em que aprendamos a caminhar no ritmo da graça. Que possamos ouvir a voz do Senhor acima do barulho do mundo e responder com obediência, confiança e descanso. Antes de correr, que aprendamos a parar; antes de decidir, que aprendamos a orar; antes de construir, que aprendamos a confiar.
Que nossos planos estejam submetidos à vontade de Deus e que nossos corações estejam sensíveis à Sua direção. Pois não é a pressa que nos leva mais longe, mas a presença do Senhor que nos sustenta no caminho.
Assim, que em cada dia de 2026 escolhamos sentar aos pés de Jesus, confiar no cuidado do Pai e permitir que o Espírito Santo nos conduza. Que nosso descanso esteja n’Ele, nossa esperança esteja n’Ele e nossa vida reflita a certeza de que, nas mãos de Deus, o tempo não é desperdício, é propósito.
Danilo Azer Martins